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"O amor aos sessenta"
Isto que é o amor ( como se o amor não fosse
esperar o relâmpago clarear o degredo):
ir-se por tempo abaixo como grama em colina,
preso a cada torrão de minuto e desejo.
Ser contigo, não sendo como as fases da lua,
como os ciclos de chuva ou a alternância dos ventos,
mas como numa rosa as pétalas fechadas,
como os olhos e as pálpebras ou a sombra dos remos
contra o casco do barco que se vai, sem avanço
e sem pressa de ausência, entre o mito e o beijo.
Ser assim quase eterno como o sonho e a roda
que se fecha no espaço deste sol às estrelas
e amar-te sabendo que a velhice descobre
a mais bela beleza no teu rosto de jovem.
Alberto da Costa e Silva in " O prisma das muitas cores - Poesia de Amor Portuguesa e Brasileira" (Organização: Victor Olivieira Mateus, Prefácio: António Carlos Cortez),
Editora Labirinto, Fafe, 2010, p 22.
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11/10/10
10/07/08
Mas fui feliz.
Puseram a mão nesta mão.
Não me apagaram o choro da orfandade,
mas fui feliz.
Nada pedi
- o som da bica ouço,
o mesmo que irá comigo à morte
e esteve sempre no meu dia antigo,
e sabe o que eu queria -
mas fui feliz.
Fui pranto de outros olhos.
Fui feliz.
Senti o afago
entre o peito e a pele da camisa.
Fui feliz.
Alberto da Costa e Silva, Poema 3 do Ciclo "As linhas da mão",
In "Melhores Poemas", seleção André Seffrin, Ed. Global,
São Paulo, 2007.
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