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28/09/11


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 " Poema 5 do ciclo A dor é um abraço que afoga "


A roupa estendida a desfeitear raparigas
as mãos delas prendidas nas outras
os olhos em tanques de água,

os dedos frios alongados no pátio,

saem para a praça vestidas no céu
que vela os mortos, os cabelos
entrelaçados nos beirais da chuva

a roupa seca balançada nos olhos.

  Alexandre Nave in " Columbários & Sangradouros " Quasi Edições, Vila Nova de Famalicão,
2003, p 42.
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" Poema 6 do Ciclo Mostram cicatrizes como amores "


Põem a forca ao pescoço como fímbrias

bocas de arame farpado, os nós em fúria
caiados de sangue, frestas, abandonados

são cheios de sal ao sol

são honrados, descobertos
amarrados do artelho ao cós

o surto já lhes vem convulso,
marcados onde a luz os faz.

 Alexandre Nave in "  Columbários & Sangradouros ", Quasi Edições, Vila Nova de famalicão,
2003, p 62.
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28/01/11

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Um dia, meu amor, gastei o corpo
Contra a memória da casa, as mãos
Vieram ocas pelos dias que perdia
Ou a sombra me encostou o corpo
Contra a pedra, meu amor, onde parti
Os dedos como louças entre os dias,
Minhas agulhas foram o que cansei dos
Ossos, o meu amor, quero-lhe mal, desfaço
O coração, se largo tristeza ou puro fio
O dia escurece a casa, a cal seca na
Parede, se trago, meu amor, o corpo
Que partiu, digo-te: se amanhã fosses
Silêncio, ardor ou despedida, todos os
Nomes de deus trariam o osso à casa,
Onde rebento de fogo prendo animais
Fundos ao ventre, se a memória fosse
Só a cal amarga de um dia, meu amor

Alexandre Nave in "Os dias do Amor - um poema para cada dia do ano" (Organização:
Inês Ramos), Ministério dos Livros Editores, Parede, 2009, p 357.
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