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19/06/09



" a viola toca meu silêncio"
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dolentemente
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re
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spiro
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minhas
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fantasias
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solitárias
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ladeando o
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silêncio
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António Cardoso Pinto (Inédito)
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Notas:
- o verso "spiro" não segue a ordenação gráfica dos outros versos, já que não se integra na escala musical que o poeta pretende evocar. Infelizmente foi-me impossível ,a nível informático, manter tal rigor
- António Cardoso Pinto, que tem poesia sua espalhada por diversas publicações e livros, e que gravou recentemente um CD com poesia de José Agostinho Baptista, acaba de criar um
"sítio" de Poesia:
António's Site
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20/05/08




seduzem-me
os barcos que abandonam o porto
ao romper do dia
e a sua navegação solitária
entre as ilhas

a outra mão dos maestros
e todas as mãos
que falam dão e recebem
e se acariciam

as paisagens
quentes do sul
os sons duma guitarra
e os gestos lentíssimos do tai chi
esse estranho e antigo bailado matinal

seduzem-me
os livros abertos
e os olhos ardendo
de palavras e sinais

os olhos correm
juntam símbolos e correm
decifram a mensagem fixam a notícia
detêm-se por momentos
para medirem a realidade circundante
da casa do chá

o tempo de virar a página

e ei-los a correr de novo
até à última linha
entre amores e ódios
delírios e intrigas
prazeres e dores
leis e razões
dúvidas e medos
sonhos
esperanças
e cantos

imensa roda
a preto e branco
de um mundo que é sempre notícia

aberta aos sentidos

António Cardoso Pinto, In "A lua dos astronautas
não é a minha lua", Gradiva, Lisboa...