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Poema 10 do ciclo " Marlene"
Às vezes quero dizer-te coisas importantes, a cotação das acções na bol-
sa prateada e dócil da tua intimidade, a vibração involuntária dos meus
tecidos moles, durante um jantar num hotel de luxo, Marlene. Mas ficam-
-se as cinco estrelas por uma tasca no centro histórico, com carapaus
grelhados e molho à espanhola, e uma cerveja em vez de um daikiri que
me adormece e faz sonhar contigo e com os teus seios tensos que sei
que assim ficarão eternamente.
António Ferra in "Marias Pardas", &etc., Lisboa, 2011, p 40.
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19/06/11
" Já a tinham fodido muito na vida e bebia até cicuta ao acordar, "
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Poema 2 do ciclo "Maria Parda"
Já a tinham fodido muito na vida e bebia até cicuta ao acordar, a ver se
marchava para a câmara escura. Mas o raio de um instinto de sobrevi-
vência toldava-lhe os olhos e saltava pelas ruas fora, de pénis à cintura,
a dizer blasfémias para enrabar o futuro, a gritar que já tinha experimen-
tado tudo, tudo - roubo de galinhas nas quintas suburbanas, champanhe
bebido em mansardas, vacinas contra o tétano e o tifo, pastéis de cio em
recepções mundanas; que já tinha estado presa em alta segurança e apal-
pada por uma guarda a quem chamava mamã; que bebera este mundo e
o outro por garrafas diárias para esconder a podridão dos sonhos em
vinhos a martelo.
António Ferra in "Marias Pardas", &etc., Lisboa, 2011, p 16.
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Poema 2 do ciclo "Maria Parda"
Já a tinham fodido muito na vida e bebia até cicuta ao acordar, a ver se
marchava para a câmara escura. Mas o raio de um instinto de sobrevi-
vência toldava-lhe os olhos e saltava pelas ruas fora, de pénis à cintura,
a dizer blasfémias para enrabar o futuro, a gritar que já tinha experimen-
tado tudo, tudo - roubo de galinhas nas quintas suburbanas, champanhe
bebido em mansardas, vacinas contra o tétano e o tifo, pastéis de cio em
recepções mundanas; que já tinha estado presa em alta segurança e apal-
pada por uma guarda a quem chamava mamã; que bebera este mundo e
o outro por garrafas diárias para esconder a podridão dos sonhos em
vinhos a martelo.
António Ferra in "Marias Pardas", &etc., Lisboa, 2011, p 16.
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