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"Círculo"
Fatias do ontem e do amanhã:
a eternidade me contém.
Adivinho esta vida apenas
curto instante de glória
dentro de outra obscura e maior
pois desde o barro pré-histórico
estive de algum modo presente
na promessa de carne dos avós
milenares e habito igualmente
tácita a matéria dos filhos.
Humilde fragmento do mundo
sou perene dentro do círculo.
Astrid Cabral in "50 Poemas Escolhidos pelo Autor", Edições Galo Branco,
Rio de Janeiro, 2008, p 10.
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14/05/09

"Canção do Exílio"
Galápos e Polinésias,
apesar destes trajes
debruados de pudor e pó
e das cargas e trastes
de cárceres cidades,
apesar desses mares
a esbravejarem entre nós
sempre crespos e cruéis,
vos habito assídua
oh chãos céus de paraíso,
meus instintos a pastarem
entre a pureza das pedras
e a solicitude do capim.
A pressa inútil relegada,
eu irmã de tartarugas e lesmas
fruindo a madrugada sem fim.
Astrid Cabral In "Poesia Viva em revista",
Rio de Janeiro, 2008, p 109.
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"Revelação do Vento"
Quietas quedam-se árvores.
A flor, o singular alarde
da discreta vida em surdina.
No entanto, se ágil na tarde
o ar acorda e em pranto sopra
as árvores se põem loquazes:
gesticulam abraçam dançam
sussurram cochicham cantam.
É quando súbito enxergamos
a prisão de troncos e ramos
e a longa noite das raízes.
Astrid Cabral In "Poesia viva em revista",
Rio de Janeiro, 2008, p 11o.
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Quietas quedam-se árvores.
A flor, o singular alarde
da discreta vida em surdina.
No entanto, se ágil na tarde
o ar acorda e em pranto sopra
as árvores se põem loquazes:
gesticulam abraçam dançam
sussurram cochicham cantam.
É quando súbito enxergamos
a prisão de troncos e ramos
e a longa noite das raízes.
Astrid Cabral In "Poesia viva em revista",
Rio de Janeiro, 2008, p 11o.
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