25/04/09




"Quem sou eu? Qual é o meu nome? Quais são os meus títulos de nobreza? Nada, nada. Sou um servo e nada mais. Nada me pertence, nem sequer a vida. Deus é dono de mim, dono absoluto, para a vida e para a morte. Pais, parentes, senhores do mundo: o meu único e verdadeiro dono é Deus.(...) Diante dele, permaneço em sentido, imóvel, como o mais pequeno soldado perfilado perante o seu superior, disposto a tudo, inclusivamente a lançar-me ao fogo. Este deve ser o meu ofício durante toda a minha vida, porque nasci assim; sou um servo. Devo considerar-me sempre nesta condição de servo; não tenho um único momento em que possa ocupar-me de mim mesmo, servir o meu capricho, a minha vaidade, etc. Se o fizer, sou um ladrão, porque roubo um tempo que não é meu, sou um servo infiel, indigno de recompensa. Ai de mim, é o que tenho feito, que confusão, que vergonha.Tanta soberba e presunção, pois nem sequer sei ser servo. (...) Por isso, quando me sirvo das criaturas para meu prazer, transtorno a ordem da Providência, quebro a admirável harmonia do universo..."
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João XXIII In "Diário da Alma", Paulus Ed., Lisboa, 2000, pp 110-112.
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