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14/05/11
"Nota de rodapé"
lâmpada baça por onde vem o silêncio
segregado e resfolegam os olhos.
faço-o de novo até muito tarde
e tu reclamas-me docemente, por entre
capítulos obscuros de papel pardo
e destroços de carvão.
às vezes distrai-me a asa de um queixume
o teu corpo sai a terreiro, como que a
defender o quinhão de lume que lhe pertence.
é tarde e tu respiras convulsionando
as minhas palavras, adormecida.
não cheguei a dizer-to, nunca chego
a dizê-lo. o amor é sempre tão de repente
João Ricardo Lopes in " reflexões à boca de cena", Editora Labirinto, Fafe, 2011,
p 44 (Edição bilingue: versão inglesa de Bernarda Esteves. Posfácio de daniel gonçalves).
.
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" Se ao menos a vida"
se ao menos a vida fosse tão simples de limpar.
no final de cada noite era sobre o tablado
um correr de vassouras e de esfregonas
e depois tudo fresco, tudo pronto para sermos a velha vida
quer dizer, a folha mal escrita, o garatujo promissor
quer dizer, o antes de ser tarde, os olhos habituados
às estrelas, ao esplendor de cósmicas explosões no
alabastro das madrugadas proto-históricas.
mas a vida é uma versão só, sem duas vezes
um coro definitivo de ervas tenras que
devagar se despedem, cena após cena, e no fim
o desenlace do costume, as palmas, os rostos sombrios
que entram, o público que roda, tudo estranho
tudo devagar - que a vida é um teatro sem comiseração
João Ricardo Lopes in " reflexões à boca de cena", Editora Labirinto, Fafe, 2011,
p 94 (Edição bilingue: versão inglesa de Bernarda Esteves. Posfácio de daniel gonçalves).
" Se ao menos a vida"
se ao menos a vida fosse tão simples de limpar.
no final de cada noite era sobre o tablado
um correr de vassouras e de esfregonas
e depois tudo fresco, tudo pronto para sermos a velha vida
quer dizer, a folha mal escrita, o garatujo promissor
quer dizer, o antes de ser tarde, os olhos habituados
às estrelas, ao esplendor de cósmicas explosões no
alabastro das madrugadas proto-históricas.
mas a vida é uma versão só, sem duas vezes
um coro definitivo de ervas tenras que
devagar se despedem, cena após cena, e no fim
o desenlace do costume, as palmas, os rostos sombrios
que entram, o público que roda, tudo estranho
tudo devagar - que a vida é um teatro sem comiseração
João Ricardo Lopes in " reflexões à boca de cena", Editora Labirinto, Fafe, 2011,
p 94 (Edição bilingue: versão inglesa de Bernarda Esteves. Posfácio de daniel gonçalves).
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