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02/05/13
" Poema 60 "
Nascer aqui é falhar ainda
O silêncio das árvores em crescimento,
Nascer aqui é sempre demasiado tarde
Para ir beber à fundura de um poço,
Nascer aqui dói às pedras
Que excederam a altura da casa,
Nascer aqui impede os cães de conduzir
A cegueira dos espelhos desde o olhar até à visão,
Nascer aqui afugenta o invisível para longe da vida,
Nascer aqui é um ruído de fundo
Para dissuadir a hospitalidade do tempo à nossa mesa,
Nascer aqui é demasiado tarde para sermos
perpendiculares
À oferenda mútua dos corpos,
Nascer aqui desfaz a aritmética dos passos sem
caminhante,
Nascer aqui muda-nos a todo o instante de origem e
destino,
Nascer aqui atenta contra o trabalho escultórico
De uma minuciosa nudez dos pensamentos para pôr a
salvo
O vazio de nascer agora e por fim em nenhum lugar.
Carita, Fernando Eduardo. Le Salut Par le Vide/ A Salvação Pelo Vazio (Édition bilingue). Châtelineau: Editions Le Taillis Pré, 2005, p 132.
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" Poema 48 "
Nem o centro está no centro
Nem deus está em deus,
Fatais os equívocos, vãs as buscas;
De nada adianta querer agora perseguir
O rasto das aves no inverno
Nem tão-pouco o das palavras no tacto das coisas;
Somos meros supranumerários
De uma abstinência provisória do nada
De que deus afinal é o mais fiel dos substitutos.
Carita, Fernando Eduardo. Le Salut Par le Vide/ A Salvação Pelo Vazio (Édition bilingue). Châtelineau: Editions Le Taillis Pré, 2005, p 108.
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