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09/08/12

"(...) e pedimos à vida humana que se comprimisse... "


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   A mente pode ser uma ferramenta maravilhosa para a autoilusão - não foi concebida para lidar com a complexidade e incertezas não lineares. Ao contrário do discurso comum, mais informação significa mais ilusões. A nossa deteção de padrões falsos cresce cada vez mais como efeito secundário da modernidade e da era da informação: existe a desadequação entre a aleatoriedade confusa do mundo atual rico em informação, com as suas interações complexas, e as nossas intuições dos acontecimentos, baseadas num habitat ancestral mais simples. A nossa arquitetura mental está cada vez mais desajustada do mundo em que vivemos.
   Isto conduz a problemas tolos: quando o mapa não corresponde ao território, há uma certa categoria de idiota - o sobreeducado, o académico, o jornalista, o leitor de jornais, o "cientista" mecanicista, o pseudoempirista, os dotados com aquilo a que chamo "arrogância epistémica", essa maravilhosa capacidade de desconsiderar o que não viram, o não-observado - quem entra em negação, imaginando que o território concorda com o seu mapa. Geralmente, esse idiota é alguém que faz a redução errada em nome da redução, ou remove algo essencial, cortando as pernas ou, melhor, parte da cabeça de um visitante ao mesmo tempo que insiste que ele preserva a sua pessoa com 95 por cento de exatidão. Vejam-se as camas procustianas que criámos, algumas benéficas, outras mais questionáveis: regulamentos, governos estruturados de cima para baixo, academia, ginásios, deslocações entre casa e o emprego, arranha-céus de escritórios, relações humanas involuntárias, emprego, etc.
   (...) temos culpado o mundo por não se adaptar às camas dos modelos "racionais", tentámos mudar os seres humanos para que se adaptassem à tecnologia, adulterámos a nossa ética para que se adaptasse às nossas necessidades de emprego, pedimos à vida económica que se adaptasse às teorias dos economistas, e pedimos à vida humana que se comprimisse numa qualquer narrativa.

   Taleb, Nassim Nicholas. A Cama de Procusto - Aforismos Filosóficos e Práticos. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2010, pp 106 - 107.
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08/08/12

" Tudo caixas, caixas geometricamente retas e euclidianas. "



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   Nascem e são postos numa caixa; vão para casa viver numa caixa;
estudam pelo preenchimento de caixas; vão para o chamado " tra-
balho " numa caixa, onde se sentam na sua caixa-cubículo; conduzem
até à mercearia numa caixa para comprar comida numa caixa; vão
para o ginásio numa caixa para se sentarem numa caixa; falam em
pensar " fora da caixa ", criativamente; e quando morrem são postos
numa caixa. Tudo caixas, caixas geometricamente retas e euclidianas.


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   Outra definição de modernidade: as conversas podem ser cada vez
mais completamente reconstruídas com partes de outras conversas
que ocorrem ao mesmo tempo no planeta.


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   O século XX foi a bancarrota da utopia social; o XXI sê-lo-á da
utopia tecnológica.

  Taleb, Nassim Nicholas. A Cama de Procusto - Aforismos Filosóficos e Práticos. Alfragide: Publicações D. Quixote, 2010, p 39.
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07/08/12

"(...) utilize-se, ao invés, a medida subtrativa..."


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   " Nível de riqueza " nada significa e não tem nenhuma medida
absoluta robusta; utilize-se, ao invés, a medida subtrativa " des-
nível de riqueza ", isto é, a diferença, em qualquer ponto tempo-
ral, entre aquilo que se tem e aquilo que se gostaria de ter.


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   As pessoas mais velhas atingem a beleza máxima quando têm
o que falta às novas: serenidade, erudição, sabedoria, phronesis
e aquela ausência de agitação pós-heroica.

 Taleb, Nassim Nicholas. A Cama de Procusto - Aforismos Filosóficos e Práticos. Alfragide: Dom Quixote, 2010, p 33.
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