.
" XIII "
. o antigo arquitecto das almas andou de cidade em cidade
porque é um desvairado. rastejou subjugado sem que
uma delas o acolhesse em seu divino e surreal canto. filho
unigénito da oração fraccionada em seu totalitário desvario
apenas procurou um espaço ou subúrbio de paisagem. nele
descansa toda a eternidade das borboletas azuis contaminadas
pela antiga estrela do sol. esperou só a apoteose do prodígio
do verbo e a luminescência sobre os seres que respiram pelas
artérias. e pereceu na ausência da abundância expelindo o
derradeiro halo do vómito. o excremento ácido e avassalador
das mariposas ofuscas de luz. as suas raízes alastram agora
pelas frechas sanguíneas do asfalto. e aí desabrocham hoje
pragas raras de gramíneas. a blasfémia redentora da utopia.
.
João Rasteiro in "Diacrítico", Editora Labirinto, Fafe, 2010, p 47.
.
Mostrar mensagens com a etiqueta João Rasteiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta João Rasteiro. Mostrar todas as mensagens
09/01/11
". no princípio a intimidade do mundo brilhava descomunal sobre infindáveis labirintos. "

" V "
.
. no centro da loucura move-se o milagre que asfixia a própria
boca com a seiva das flores de calcário. então miragem e
memória misturam-se com a fímbria dos dedos, aí desejo e
lascívia povoam habitáculos das primeiras cópulas. e pelo
criador em seu centrípeto desconcerto todas as crias foram
feitas no espelho das águas calcinando de eterna demência a
casa de jacob. no princípio a intimidade do mundo brilhava
descomunal sobre infindáveis labirintos. o céu vociferava o
seu santo nome porquanto a luz das fábulas é a cúpula de um
meteoro sagrado. depois perdeu-se o medo das visões. e nelas
se adivinhou o rosto do temor.
.
João Rasteiro in "Diacrítico", Editora Labirinto, Fafe, 2010, p 19.
.
Subscrever:
Mensagens (Atom)