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20/06/13

 
 
         "  Báltica  "
 
 
uma dureza uma noção fria de império, eu
de miragem vestida atravessando o mundo
para brincar aos camelos contigo
 
( o meu fato diamante a minha espera de pedra
musa sanguínea de sentinela que passa
comigo - )
 
hei-de escarrar-te uma página perfeita de literatura
vens para este livro, vais ser crucificado aqui
 
há-de esmolar-se mesmo a vontade romeira
a mão justa na outra, a violência privando-me
o juízo, este poema de amor até
 
mas não abrandarei os frios nem este pleito sem domo
há-de amarelecer
 
e este diminutivo susto vai sendo uma festa que acabará
eventualmente com beijos de sono nos olhos
 
e como havemos de nos ligar nupcialmente num sismo
num dia ambulado com o tempo próprio,
com uma sílaba, tu
 
chegas para te sentares à cabeceira da minha infância, eu
levanto-me com a forma de ter cabido nesse abismo -
 
não saberás quimicamente de um corpo levantado
aos ombros porque o teu ofício de pai dita que és
cardiologista, médico
 
tratas dos corações dos outros, portanto, sabes-lhes o peso
e saber isso é uma coisa próxima de morrer
e nenhuma figura de estilo
 
 
  Guerra, Raquel Nobre. Groto Sato. Lisboa: Mariposa Azual, 2012, pp 56 - 57.
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JUCUNDI  CANTUUS  NUTRICII


de mim faz uma só pelo amor que desconheço
a mínima interna das coisas a sua granítica
e outras aromáticas, eu com Lázaro à meia
porta dos exilados neste faro pelo mesmo
na noite formando selvagem, onde só posso
silêncios, eu que não cruzo o belo onde toco e sou
rasa de palavras para ser álccol à carne da tua
propagação, eu outros hábitos outras formas
de aproximação a um lugar de sermos a final hora
entre estados, eu que subirei nessa maneira bicho de chegar
e beber do mesmo charco


 Guerra, Raquel Nobre. Groto Sato. Lisboa: Mariposa Azual, 2012, p 20.
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