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01/10/11

" E tu,/ estático ao sol/ a humanizar o metal "

.
 " Estátua de Drummond "

Daí,
de teus olhos duros,
de pupilas de bronze,
poeta,
perscrutas opacas
estruturas do mundo.

Metal
de costas para o mar,
teu corpo - estátua sentada no ar.
( o banco de cimento se esfarinha
num ruir de areia. Tua vida,
rocha marinha.)

Passam turistas
em teu olhar imóvel.
Automóveis. Pernas de moças.
A graça cotidiana.
Um velho mundo futurista.

E tu,
estático ao sol
a humanizar o metal
- banhista da brisa
numa praia inelutável -
O bronze franzido de tua fronte
desbota-se.

  Edmar Guimarães in " Águas de Claudel ", Editora UFG, Goiás, 2011, p 24.
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"(...) o abismo/ raso, gasto/ por uso impreciso. "

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 " O volume do vazio "

O nada anda sem força.
Há em seu fosso
tanta coisa.

Mesmo o abismo
raso, gasto
por uso impreciso.

O que fundo
é de fato
não acha mais azo
neste vocábulo nulo.

Se não se ouve,
um eco de sim
ausculta-se. Daí,
repetir não, NÃO
para afirmar o que é fim.

( Ah, palavras desafinadas
pela própria língua que as engasta!)

 Edmar Guimarães in " Águas de Claudel ", Editora UFG, Goiás, 2011, p 52.
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