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01/03/11

" E qual ombro, & qual arte,/ Pode os tendões do cor vergar-te?"

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"O Tigre"
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Tigre Tigre, brilho em brasa,
Que a floresta à noite abrasa:
Que olho eterno ou mão podia,
Traçar-te a fera simetria?
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Em que longe lerna ou céus,
Arde o fogo de olhos teus?
Em que asas ousa ele ir?
Que mão ousa o fogo asir?
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E qual ombro, & qual arte,
Pode os tendões do cor vergar-te?
Quando a bater teu cor se pôs,
Que atroz mão? que pé atroz?
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Qual martelo? qual o grilho,
Foi teu cér'bro em que fornilho?
Que bigorna? que atra garra,
Teu mortal terror amarra!
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Quando estrelas dardejam
E com seu pranto os céus molharam:
Sorriu vendo o feito o obreiro?
Quem fez a ti fez o Cordeiro?
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Tigre Tigre brilho em brasa,
Que a floresta à noite abrasa:
Que olho eterno ou mão podia,
Ousar-te a fera simetria?
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William Blake in "Canções de Inocência e de Experiência", Assírio & Alvim, Lisboa,
2009, p 88 ( Tradução: Jorge Vaz de Carvalho).
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"Já não era hostil com o Demónio ou o Barril "

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"O Pequeno Vagabundo"

Mãezinha, Mãezinha, a Igreja é fria,
Mas é sã & jovial & quente a Cerv'jaria;
Dizer sei também onde me acho bem,
Tal uso no céu nunca é proceder bem.

Se nos regalassem as almas na Igreja.
Com fagueiro fogo, alguma Cerveja,
A orar cantaria, todo o santo dia,
Ninguém da Igreja escapar queria.

Então o Pastor prega & bebe & canta.
E nós como as aves que maio encanta
E a dona Tereja, que é sempre na Igreja,
Não dava aos moços ralhos clausura ou peleja.

E Deus como um pai exultante por ver,
Seus filhos como ele em gozo e prazer,
Já não era hostil com o Demónio ou o Barril,
Mas dava-lhe pinga e veste & beijos mil.

William Blake in "Canções de Inocência e de Experiência", Assírio & Alvim, Lisboa,
2009, p p 94 ( Tradução: Jorge Vaz de Carvalho).
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