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09/01/09


"Canção de graças"

Estou-te grata por não me protegeres
por não te ter quando de ti preciso
por não seres firmamento para a Ursa Menor
nem bengala e bastão para me defenderes.

Por cada pontapé te estou agradecida
que me faz avançar para mim
no meu caminho. Tenho que o andar só.
Estou-te grata. Facilitas-me a vida.

Estou-te grata pela tua cara linda
que para mim é tudo e nada mais.
E também por não ter que agradecer-te
senão este poema e alguns outros ainda.

Ulla Hahn In "A sede entre os limites", Relógio d'água,
Lisboa, 1992, p 61.
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08/01/09

Nature Boy In "Someone Special" album de Max India, British Library,
London, 1988.


"Isso é que era uma vida!"


Faço o meu ninho na axila
do homem com o elmo de ouro. Se ele anda
eu imóvel ando também. Se ele dobra
o corpo eu em pé faço o mesmo.
Se ele come o pão com o suor do seu rosto
eu perturbada pelos aromas deito-me-lhe
debaixo do braço viril.
A sua conversa Sim Não é obviamente sempre
a minha. Não semeies não colhas: Para quê
se ele me dá de comer e vestir! E
nada mais exige em troca do que a sua dose diária
de rosas sem espinhos lhe teço a coroa
chilreando à volta da divina cabeça.

Ulla Hahn In "A Sede Entre Os Limites", Relógio d'Água,
Lisboa, p 31.
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