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26/09/13

 
 
Espumante gelado foi a causa da morte de uma aluna
Na Holanda, devido a paragem cardíaca.
A loura tímida, gozada vezes sem conta pela
 
Barriga gorda das pernas, participou num concurso
Sob pressão da turma. Num clube nocturno de Amesterdão,
Duas dúzias de raparigas incendiadas pelo aplauso competiam
Pelo mais belo par de mamas perante o olhar dum júri.
 
Sob as luzes da ribalta, muito despida numa T-Shirt molhada,
Ganharia o teste-das-tetas a que se mostrasse mais sensual,
Banhada em espuma de champanhe e de mamas arrebitadas
 
A atiçar o animal que há no homem. Qual o choque porém,
Quando desta vez a aclamada não mais se levantou.
Antes que a ambulância chegasse, já Miss Sweet-sweet-Tits estava morta.
 
O julgamento de Páris foi macabro, desta vez. O troféu dourado,
Um cálice meio falo e meio tulipa, mais o prémio em dinheiro,
Foram fraca consolação para os familiares da rapariga.
 
 
  
  Grünbein, Durs. Aos queridos mortos. Coimbra: Angelus Novus, 2003, p 37 ( Tradução de Fernando Matos Oliveira).
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25/09/13



Num ataque súbito de ciúmes, aliviada da vontade de viver,
Na manhã de Ano Novo uma mulher em Chicago
Atirou-se para a rua pela janela do duplex,

De quase cinquenta andares de altura.

Porque o namorado, preso por acaso no elevador
A sós com a melhor amiga, devido a avaria,
Na agitação de uma noite de Ano Novo, quem sabe, bêbedo

A poderia... ter... eventualmente... enganado,- desistiu

No fim de tão longo condicional. Os psicólogos
Tinham-na entre as vítimas de raptus. Uma amiga
Via nisto uma mistura de boato e tragédia. Ao namorado

A coisa parecia mais o efeito de uma gramática mortal. O cadáver

Encontrava-se exactamente antes de um cruzamento, na faixa esquerda,
Onde do alto de podia ler, como pedaços soltos de uma tela de salvação,
A inscrição ONLY.


Grünbein, Durs. Aos queridos mortos. Coimbra: Angelus Novus, 2003, p 27 (Tradução de Fernando Matos Oliveira).
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                       "Yeti"

 

 
Comme tout ce qui marche ici... eh bien, toi aussi, tu
passeras vite comme si tu n'avais jamais été.
Une fois compris en route, que toi aussi tu t'arrêtes,
ce parcours de la réflexion n'aura pas de suite.
À peine passée l'arrivée, un saut, déjà l'aveuglement
te guette derrière les lignes oú dans la neige tu t'égares.
De la neige des mots il ne reste qu'un espace entre ces traces
qui seront effacées tôt par prudence. Un essaim de rumeurs
te colle aux tempes, tenace, aveugle, une tache.
Des pensées, ces affections terribles, tu n'en as cure.
Seul un O.K...
pour chaque faux pas, faute et échec.
Ce qui perce par des mots arides à travers l'oubli
s'oubliera lui-même à la fin. Perdue en chemin, persiste
la mémoire, vide. Inscrite dans l'étroite bande des fréquences,
ta mort émet des signes au programme de nuit,
quand, en sommeil, sur le qui-vive, ton corps se cabre.
Tibet. Un homme des neiges. La trace de sa fuite. Blanc sur blanc.

 

Grünbein, Durs. Après l'est et l' ouest. Paris: Éditions Textuel,
 2001, p 173 ( traduit par Silke Schauder).

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