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Estou na página. neste falso regaço materno
neste assombro de navegar e dar a volta ao mundo
da maneira mais estranha
as crianças vêm aconchegar-se aqui
quase sempre tristes,
esmagam a luz nos olhos
de tanto sonho e escuridão
só quero sentir esta luz. esta luz que amei
e perdi
Maria Azenha in "de amor ardem os bosques", ed./autor, 2010, p 60.
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20/02/10
"durante anos treinei o lúmen do coração"
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Não sabes, leitor, como estou rodeada de silêncio
há uma ave onde este texto se apoia.
fecho os olhos, e o poema traz para este lugar
o búzio dos cofres
escrevo em filigranas de ar
secretas harpas de sombra
onde as primeiras letras ousam pousar.
durante anos treinei o lúmen do coração
em cântaros de sol subindo os primeiros degraus
depois habituei-me à confidência das aves
pousada na inteligência dos bosques
movidos a vento e água,
acácias entre mãos
por último a ciência da respiração
no sumo das auroras
Maria Azenha in "de amor ardem os bosques", ed./aut., 2010, p 30.
Nota - este livro, a não perder, pode ser adquirido através do endereço colocado no blogue da autora.
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Não sabes, leitor, como estou rodeada de silêncio
há uma ave onde este texto se apoia.
fecho os olhos, e o poema traz para este lugar
o búzio dos cofres
escrevo em filigranas de ar
secretas harpas de sombra
onde as primeiras letras ousam pousar.
durante anos treinei o lúmen do coração
em cântaros de sol subindo os primeiros degraus
depois habituei-me à confidência das aves
pousada na inteligência dos bosques
movidos a vento e água,
acácias entre mãos
por último a ciência da respiração
no sumo das auroras
Maria Azenha in "de amor ardem os bosques", ed./aut., 2010, p 30.
Nota - este livro, a não perder, pode ser adquirido através do endereço colocado no blogue da autora.
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11/01/09

"para voltar ao princípio do mundo"
sei de uma mulher
que penteava os cabelos ao sol
porque tinha no pensamento uma flor
sei que os lavava ao luar
porque tinha no coração uma corola
com a boca mordia o ar
e prendia os vestidos ao vento
era uma mulher sentada numa pedra
coroada por um lírio salgado na fronte
um dia
cortou os cabelos
atirando-os um a um ao mar
disse: tece-me
e o mar inclinou-se por dentro
para tecer
o poema
Maria Azenha In "A Chuva Nos Espelhos", Alma Azul,
Coimbra, 2008, p 9.
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