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27/06/12
30/07/09

"Dor e glória partilharam, afinal, homens e deuses que,
por terra e mar, vaguearam sem destino!" - considerou
o prestável Eumeu, depois de tantas coisas termos dito,
em seu casebre, nessa noite, não longe do lugar onde, ao
romper da Aurora, não tardaria a desembarcar Telémaco,
para preparar a conjura, e cumprir a vingança.
Vergílio Alberto Vieira In "Sombras de Reis Mendigos", Ed. Livros de Horas,
Porto, 2009, p 46, (Prefácio de Miguel Real).
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26/07/09
"Retrato de Vergílio Alberto Vieira" (2007). Desenho de José Rodrigues.Sempre que, em Ogígia, voltava aos braços de Calipso
para, no seu leito de rosas, travar sem tréguas nova
batalha fingida, não era pois do mar esse rumor de
vagas que, de céu a céu, me perseguia, mas da cadência
do remo com que, mais tarde, havia de medir: do sol, a
altura; do abismo, a sombra do naufrágio.
Vergílio Alberto Vieira In "Sombras de Reis Mendigos", Ed. Livros de Horas,
Porto, 2009, p 19 (Prefácio de Miguel Real).
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05/02/09
" A Ilha de Jade"
1.
De céu a céu
contempla em chamas verdes
desertos de água.
2.
Apagam sóis
veredas que a cinza cerca
nas dobras do coração.
3.
De 'strelas coroada
enfíngica repousa a noite
no fundo dos vulcões.
4.
Amanhecidas brumas
esbatem pelos cumes a emurchecida
flor do mal.
5.
No dedo frágil os-
tentam o ardor que o jade esfria
à sombra do jasmim.
6.
Aromáticos, nocturnos,
em suas camisas de ramagens esperam
cair de novo em tentação.
7.
Contra a nudez
do bosque enfermam então perdidas
luas, de mel.
8.
Esborratam cerros
de água, as cabras que o vento
em lava afixou.
9.
Ao mar atidos
como lobos fisgam a morte:
o lanço com cautela.
10.
Escalando escostas
descem à terra, provam da ira
o oiro dos vinhedos.
11.
Enamoradas virgens
entre heras, com fraguedo nu,
se deitam as ribeiras.
12.
Do vale aos cimos,
acordam a luz que a mão bordou
na fímbria das marés.
13.
Silvam nos renques,
voam, imóveis como o funcho,
à sombra do penhasco.
14.
Decapitados pela sede,
no copo vencem a medo tormentas
e naufrágios.
15.
Criou Deus então
a ilha, e o nácar lhe deu corpo
de navio, e de mulher.
Vergílio Alberto Vieira In "O Voo Da Serpente",
Campo das Letras, Porto, 2001, pp 33-47.
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1.
De céu a céu
contempla em chamas verdes
desertos de água.
2.
Apagam sóis
veredas que a cinza cerca
nas dobras do coração.
3.
De 'strelas coroada
enfíngica repousa a noite
no fundo dos vulcões.
4.
Amanhecidas brumas
esbatem pelos cumes a emurchecida
flor do mal.
5.
No dedo frágil os-
tentam o ardor que o jade esfria
à sombra do jasmim.
6.
Aromáticos, nocturnos,
em suas camisas de ramagens esperam
cair de novo em tentação.
7.
Contra a nudez
do bosque enfermam então perdidas
luas, de mel.
8.
Esborratam cerros
de água, as cabras que o vento
em lava afixou.
9.
Ao mar atidos
como lobos fisgam a morte:
o lanço com cautela.
10.
Escalando escostas
descem à terra, provam da ira
o oiro dos vinhedos.
11.
Enamoradas virgens
entre heras, com fraguedo nu,
se deitam as ribeiras.
12.
Do vale aos cimos,
acordam a luz que a mão bordou
na fímbria das marés.
13.
Silvam nos renques,
voam, imóveis como o funcho,
à sombra do penhasco.
14.
Decapitados pela sede,
no copo vencem a medo tormentas
e naufrágios.
15.
Criou Deus então
a ilha, e o nácar lhe deu corpo
de navio, e de mulher.
Vergílio Alberto Vieira In "O Voo Da Serpente",
Campo das Letras, Porto, 2001, pp 33-47.
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