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12/09/12

A Poesia de Maria João Cantinho!!!


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Poema:                               MARIA JOÃO CANTINHO

Realização:                         CAROLINA AMARAL

Conceção:                          LUÍSA AMARAL

Texto de apresentação
(no poste anterior e no
Youtube):                          Victor Oliveira Mateus
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24/06/11

" a mim que não sei senão perder-me/ nos labirintos do teu corpo, em aceso desejo."

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 "Meu amor, dá-me o mapa da tua alma"

Meu amor, dá-me o mapa da tua alma,
a mim que não sei senão perder-me
nos labirintos do teu corpo, em aceso desejo.

Percorro-te, de lés-a-lés, beijo-te
lambo-te, peço-te que me ames com fúria
e depois lentamente, baralho-te,
e avanço como uma amazona sobre ti,
mas é no teu olhar que a minha fúria se desvanece,
como se um gesto teu, apenas,
soubesse aplacar-me esta fome
que trago de ti, sempre, em mim.

Seguras-me o rosto, abraças-me
e eu estremeço. Às vezes não é do prazer,
é desse gesto antigo onde me revejo
nos teus olhos, onde pressinto que cheguei.

Ao centro do labirinto, onde vislumbro o teu verdadeiro rosto.

  Maria João Cantinho in "O Traço do Anjo", Edium Editores, Porto, 2011, p 45.
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" lembra-me tal, sempre que me esqueça."

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 "Há palavras que anseiam ser ditas"

há palavras que anseiam ser ditas
como pássaros que teimam nas brumas
avançando na busca de um deus,

palavras que se ocultam
sob o silêncio de um olhar,
nascidas do mais puro coração,

lembra-me tal, sempre que me esqueça.

  Maria João Cantinho in "O Traço do Anjo", Edium Editores, Porto, 2011, p 47.
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"(...) compreenderás/ que nada morre, nada desaparece,/ apenas deixa de ser em nós "

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 "Poema dos Elementos"

O tempo tudo transforma, essa é a lei
que nos cabe em sorte.
Mas se te sentares à sombra do velho carvalho
e fechares os olhos,
se ouvires o que o vento
te vem contar, compreenderás
que nada morre, nada desaparece,
apenas deixa de ser em nós
para passar a outras camadas deste mistério.

Gostava de te dar a mão e explicar-te
a ti, que possuis o terror da morte,
como tudo é sagrado e se renova,
tudo volta ao pó e depois ao ar,
tudo se transforma tão serenamente.

A água, a pedra, o tempo,
tudo são reflexos de tudo
o que nos precedeu,
das vozes dos nossos antepassados
que agora nos olham
de outros lados, sei-o,
sob a forma de árvores, pássaros,
tudo é tão incandescente, neste cosmos
como uma dança permanente entre os elementos.

Por isso, quando choras, é o rio
que entra em ti e lava a memória
da tua dor, o rio é já o tempo
que, em ti, leva ao esquecimento.

      Maria João Cantinho in "O Traço do Anjo", Edium Editores, Porto, 2011, p 53.
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