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03/05/08

Poetas

"Dawn", Foto de Annette Blattman

"Paisagens"


Paisagens tranquilas ou desoladas.
Paisagens da estrada da vida mais do que da superfície da Terra.
Paisagens do Tempo que se escoa lentamente, quase imóvel
e às vezes como que de marcha atrás.
Paisagens de retalhos, de nervos lacerados, de "saudades".
Paisagens para tapar as feridas, o aço, o estoiro, o mal,
a época, a corda ao pescoço, a mobilização.
Paisagens para abolir os gritos.
Paisagens como um lençol puxado até à cabeça.

Henri Michaux, In "Peintures"

Poetas

"O pássaro que se apaga"


É durante o dia que ele aparece, no dia mais branco. Pássaro.
Bate as asas, voa. Bate as asas, apaga-se.
Bate as asas ressurge.
Pousa. E depois desaparece. Com um bater de asas
apagou-se no espaço branco.
É assim que se comporta o meu pássaro familiar,
o pássaro que vem povoar o céu do meu pequeno pátio.
Povoar? Bem se vê de que maneira...
Mas permaneço quieto, a contemplá-lo, fascinado
pela sua aparição, fascinado pela sua desaparição.

Henri Michaux, In "Apparitions"